O neomercantilismo está fundado sobre o uso do controle do movimento de capitais e o desencorajamento do consumo interno como um meio de aumentar as reservas cambiais e promover a acumulação de capital. Isto envolve protectionismo sobre uma série de setores, assim como proteção dos produtores nacionais, desencorajando as importações de bens de consumo, barreiras estruturais para evitar a entrada de companhias estrangeiras no mercado nacional, manipulação da taxa de câmbio contra as moedas estrangeiras e limitações contra a propriedade estrangeira de empresas nacionais. Enquanto todas as nações se engajam nessas atividades para um grau ou outro, o neomercantilismo faz delas o foco da política econômica. O propósito é desenvolver mercados de exportação para países desenvolvidos, e adquirir seletivamente capitais estratégicos, mantendo ao mesmo tempo a propriedade do ativo base em mãos nacionais.
Este uso do protecionismo é criticado com argumentos que remontam à Riqueza das Nações de Adam Smith, que foi diretamente dirigida contra as políticas do mercantilismo clássico, e cujos fundamentos foram aplicados contra o neomercantilismo. Especialmente que o protecionismo é eficaz como um meio de promover a independência econômica e o poder nacional; e questionando a conclusão de que ele permite o desenvolvimento sustentável da base industrial da nação da maneira mais eficiente. Os defensores do livre comércio argumentam que pelo fechamento da economia, recursos seriam dispendidos para fabricar produtos que poderiam ser adquiridos de forma mais eficiente do estrangeiro, e que haveria menos desenvolvimento das exportações que oferecem uma vantagem comparativa. Economistas liberais também argumentam que o protecionismo retira aos próprios consumidores da nação a oportunidade de comprar nos mercados de preços mais baratos quando quotas ou tarifas são impostas sobre as importações.
O subsídio de mercadorias também foi defendido sob o neomercantilismo. O movimento de comércio justo defende que a proteção da estabilidade das economias emergentes pela garantia de um preço mínimo para a compra de bens, superiores aos obteníveis atualmente nos mercados mundiais, pode contribuir para restabelecer o equilíbrio econômico e social bem como promover a justiça social. Defensores do movimento do comércio justo argumentam que isto pode ajudar a impedir a instabilidade gerada pela influência das empresas transnacionais supercapitalistas sobre as nações desenvolvidas e em desenvolvimento.
Os neomercantilistas alegam que o "livre comércio" resulta em uma filosofia negativa pela qual uma nação que não é competitiva merece declinar e perecer, tal como uma empresa de baixo desempenho. Eles argumentam que o "livre comércio" não funciona bem quando se pratica o dumping ou as regras internacionais não têm em conta as diferenças entre salários, custos das regulamentações ambientais e os benefícios de uma nação para a outra. Por exemplo, existe uma grande diferença no custo da mão-de-obra entre um "país desenvolvido" e um "país subdesenvolvido" considerando dois conjuntos de trabalhadores igualmente qualificados (ou não qualificados). Quando essa realidade econômica é explorada pelos industriais de um "país desenvolvido", as vantagens são para os investidores e consumidores do "país desenvolvido", em detrimento dos trabalhadores.
Uma política inquestionavelmente aberta em tais circunstâncias poderia efetivamente desvalorizar os investimentos no capital humano do "país desenvolvido" em favor dos investimentos no capital financeiro. Considere por exemplo, uma pessoa decidindo se deve investir na formação de um engenheiro ou numa carteira de investimentos financeiros. O Offshoring aumenta dramaticamente a oferta efetiva de engenheiros e, como resultado, o valor de seus rendimentos tenderiam a declinar (ou a crescer em um ritmo mais lento). Esse declínio seria intensificado pelo menor custo de vida nos países não desenvolvidos, que permitiria a um engenheiro viver ali muito melhor com um salário nominal mais baixo do que seu homólogo do país desenvolvido. (ver paridade do poder de compra).
Perante tais perspectivas, os agentes econômicos racionais tenderiam a evitar investir no capital humano em áreas que são vulneráveis a tais desvalorizações induzidas pelo governo. Em vez disso, eles vão deslocar-se para áreas de formação que são protegidas por regulamentação (por exemplo: carreiras em direito, medicina ou governo) ou pela tradição social (cargos no meio acadêmico), ou por fatores sócio-culturais (vendas) ou por necessidades físicas locais (enfermaria, medicina, construção). (Não surpreendentemente, muitos dos defensores inabaláveis do acesso irrestrito ao mercado trabalham em profissões altamente protegidas, que são em grande parte imunes aos efeitos da realocação de capitais). Alternativamente, os agentes econômicos racionais da economia do "país desenvolvido" podem escolher investir em ativos financeiros em vez de em capital humano - erodindo ainda mais, no longo prazo, a capacidade do "país desenvolvido" de produzir e crescer.
Adicionalmente, desde que o custo das mercadorias vendidas tende a ser um dos maiores componentes da receita total para a maior parte das indústrias, a produção dentro de um país pode manter uma grande porção da riqueza total dentro da economia local, em comparação aos dividendos de lucros e aos preços reduzidos de bens de consumo. Além disso, os investimentos em infra-estrutura podem ser reduzidos quando a produção se desloca por offshore. A longo prazo, tais investimentos locais reduzidos podem reduzir a produtividade e o crescimento econômico. As economias neomercantilistas, por outro lado, são muitas vezes caracterizadas por taxas de crescimento mais altas no longo prazo (que tendem a achatar-se quando as políticas neomercantilistas são interrompidas).
O discurso das políticas neomercantilistas repete as reivindicações dos séculos passados de que medidas protecionistas beneficiam a nação como um todo e que a intervenção governamental assegura a "riqueza da nação" para as futuras gerações. Ao fazê-lo, o neomercantilista admite que os interesses das grandes empresas podem muitas vezes ser representados e protegidos como postos de lado pelo interesse nacional.
Na medida em que a capacidade de produção industrial de uma nação neomercantilista, a melhora na pesquisa teconlógica e o descimento econômico são uma ameaça ao mercado interno da potência hegemônica (que geralmente pratica unilateralmente o livre comércio, como a Grã-Bretanha no século XIX, e os Estados Unidos no final do século XX), por conseguinte o protecionismo é a resposta habitual, inicialmente mediante meios políticos e, quando necessário, militares (ver Primeira Guerra Mundial).
Exemplos de neomercantilismo
Estados Unidos e Alemanha no século XIX
Por volta de 1880 os Estados Unidos passaram o Império Britânico em poder econômico - à frente da Alemanha, a segunda em poderio econômico, devido à adesão de Bismarck a políticas mercantilistas similares.
Após 1900, a Grã-Bretanha foi incapaz de manter uma efetiva hegemonia, tendo seguido sua filosofia de "livre comércio" desde a década de 1840, mas os Estados Unidos estavam ainda seguindo as políticas de sua Escola Americana radicada nos três relatórios de Hamilton, que foram adotadas na década de 1860 sob a presidência de Abraham Lincoln. A Alemanha seguiu as políticas de Otto von Bismarck baseadas no "sistema nacional" de Friedrich List e nas práticas econômicas dos Estados Unidos - permitindo a ambas as potências continuar sua dominância no poder e na economia mundial. A Alemanha optou por usar seu poderio econômico para tentar obter um 'equilíbrio de poder' com o Império Britânico, levando indiretamente à I Guerra Mundial, enquanto os Estados Unidos abstiveram-se de participar das disputas entre as potências européias mediante sua política externa de isolacionismo e não intervenção em conflitos estrangeiros.


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